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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Comida de Santo

Babalorixá e Imagem de Yemanjá

A Cozinha baiana sempre me fascinou, aliás posso dizer que sou um admirador da cultura da Bahia em geral. Basta dizer que de lá vieram Jorge Amado, Dorival Caymi, João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, e tantos outros talentos. Isto sem falar nos estrangeiros que se apaixonaram pela Bahia e a adotaram por sua terra, como o fotógrafo Pierre Verger e o pintor Carybé, que se tornaram autênticos baianos.
Estes artistas influenciaram a cultura brasileira em seu todo e terminaram por a levar para além de nossas fronteiras, encantando o mundo.
Das três matrizes formadoras do povo brasileiro, Europeia, Indígena e Africana, a influência desta última se sobressai nos ingredientes e pratos típicos baianos. O que muitos brasileiros aqui no nosso sudeste não sabem é que a origem de diversos desses pratos está ligada ao Candomblé, eram, e até hoje são, oferendados aos Santos. São as chamadas Comidas de Santo. Cada receita é apropriada a um Santo específico, como: Xixim de Galinha, para Cosme e Damião, Acarajé para Iansã, Pipoca para Obaluaiê, Batata -Doce para Oxumare e assim por diante.
Para nossa sorte, não existe objeção alguma no Camdomblé em podermos nós, pobres mortais, desfrutar dessa comida. Com isso, as receitas originais terminaram por ser  incrementadas pelos cozinheiros e chegaram às mesas de nossas casas e ao cardápio dos restaurantes tendo, muitas vezes, sua origem religiosa esquecida. É a nossa antropofagia tão falada por Mário de Andrade. Um traço cultural africano, de natureza religiosa, que foi assimilado pelo povo e se incorporou na cultura popular como cozinha típica.
Minha amiga Elíbia Portela, grande cozinheira e apresentadora do programa de televisão Prato da Casa, um dos grandes sucessos da TV baiana, me passou a receita de uma Comida de Santo que me encantou. Sua execução é fácil e o resultado é uma verdadeira explosão de sabores e aromas. É o Arroz de Hauaçá, tradicionalmente oferecido no Candomblé a Yemanjá, e cuja receita a seguir transcrevo e recomendo a todos, independente de credo, seu sabor transcende à religiosidade. É puro Brasil. 

Arroz de Hauaça



Ingredientes: 
700g de carne de charque ( ou carne do sol) 
6 dentes de alho picados 
4 xícaras de arroz lavado e escorrido 
300ml de leite de coco 
1.2 l de água 
Sal a gosto 
100 ml de óleo de milho 
1/2 kg de cebolas cortadas em rodelas finas 


Ingredientes para o Molho de Camarões : 
100 ml de azeite-de-dendê 
50 ml de azeite de oliva 
1 cebola grande picada 
1 kg de camarões secos limpos 


Modo de Fazer: 
Na véspera, corte o charque em tiras finas, coloque numa tigela, cubra com água fria e deixe de molho durante a noite. ( dentro da geladeira) No dia seguinte, escorra o charque, coloque numa panela, cubra com água, leve ao fogo e continue o cozimento até a carne ficar macia. Tire do fogo, escorra e reserve. Numa panela, coloque os dentes de alho picados e 5 colheres (sopa) de óleo, leve ao fogo médio e antes de dourar, junte o arroz e frite por alguns minutos, mexendo sempre. Acrescente leite de coco, água quente e sal a gosto. Abaixe o fogo e cozinhe, com a panela semi - tampada, mexendo de vez em quando para que fique um pouco grudado. Enquanto o arroz cozinha prepare os camarões: Numa frigideira, coloque o dendê e azeite de oliva. Aqueça em fogo médio, junte a cebola picada e cozinhe até ficar macia.( sem alourar), Acrescente os camarões hidratados em água morna. Misture, tampe a panela e cozinhe em fogo brando, juntando água aos poucos, se necessário, até os camarões ficarem macios. Tire do fogo e reserve. Á parte, coloque a 1/2 xícara de óleo em uma caçarola, e quando quente, junte as fatias de cebola e alho amassado, deixando que fritem até a cebola começar a dourar. Acrescente o charque e frite até dourar. 


Montagem do Prato :
Distribua o arroz em uma forma de anel untada com óleo, reserve por 5 min. e em seguira desenforme sobre uma bandeja de cerâmica. Coloque a carne frita acebolada no centro e, por cima do arroz, distribua os camarões refogados. Á volta complemente com bananas da terra cortadas em rodelas e fritas em azeite de oliva e óleo de milho . Leve à mesa enquanto quente. 
Receita da Elíbia Portela.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Charutinhos com folhas de uva


Charuto de folha de uva

Ingredientes

800 gramas de carne moída (bovina ou de carneiro)
2 xícaras de arroz agulhinha lavado
1 colher de sobremesa de pimenta do reino moída
1 colher de sobremesa de canela em pó
3 cravos moídos
sumo de 1 limão
1 cebola grande picada
1 maço de hortelã picado
½ maço de cebolinha picada
½ xícara de azeite de oliva
100 folhas de parreira
Sal a gosto

Modo de fazer
Lave as folhas de uva e as escalde em água fervente. Reserve-as.
Tempere a carne com as especiarias, o sumo de limão, o azeite, acrescente a cebola, cebolinha, hortelã e incorpore o arroz, mexendo muito bem até a mistura ficar homogenia, coloque o sal. Recheie as folhas de uva com essa mistura, colocando uma pequena porção dessa no centro da folha, dobrando as bordas sobre o recheio antes de enrolar.
Disponha em círculo os charutinhos no fundo da panela e faça camadas deles, sempre os colocando de forma bem justa, para evitar que eles se abram durante o cozimento. Não encha a panela, os charutinhos não devem ultrapassar dois terços da altura desta.
Coloque um prato de boca para baixo sobre os charutinhos, para os manter sob pressão durante o cozimento, evitando que se abram, e cubra com água quente. Cozinhe, sem colocar tampa, até secar a água.

A bebida apropriada para acompanhar esse prato é o Arak. Ponha quatro ou cinco cubos de gelo num copo alto, uma dose de Arak e complete com água gelada. Um Pastis francês também terá o mesmo efeito, já que são bebidas muito semelhantes, sirva da mesma maneira que o Arak.Bom apetite.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Moqueca do Comendador Serafino.



O Comendador Serafino é de família paulista tradicional e teve a sorte de se casar com com uma baiana versada em forno e fogão. Ela foi quem me passou a receita desse prato que me serviu na casa de sua fazenda em Itapetininga. Realmente vale a pena fazer.

Ingredientes.

1 kg de Peixe. (usei pargo filetado, mas pode ser até cação, quando morava em Floripa gostava de fazer com Arraia)
200 gramas de camarão seco.
2 tomate fatiados.
2 pimentões vermelhos fatiados.
2 cebolas fatiadas.
½ cebola picada.
1 ramo médio de coentro picadinho.
1 colher de sopa de gengibre finamente picado.
2 dentes de alho amassados e picados.
2 bagos de pimenta de cheiro picados. (pimenta bode, na falta pode ser dedo-de-moça)
½ xícara de polpa de tomate (passata ou tipo Pomodoro)
200 ml de leite de coco.
4 ovos.
Pimeta do reino QB.
Sal QB.
4 colheres de sopa de Azeite de Oliva.
2 colheres de sopa de Azeite de Dendê.


Modo de Fazer

Tempere o peixe com sal e pimenta do reino. Retire as cabeças dos camarões secos e reserve. Deixe os camarões de molho na água fria por duas horas, troque de água ao menos três vezes nesse tempo. Cubra-os então com água morna por mais 20 minutos.
Junte a ½ cebola picada, o coentro, o gengibre, o alho, a pimenta de cheiro e um pouco de sal num recipiente e “machuque-os” socando um pouco, de leve, com uma mão de pilão. Deixe descansar essa mistura por ao menos 20 minutos e reserve. 
Num pilão de pedra, ou madeira, soque as cabeças de camarão seco salgado até formar uma pasta, reserve.
Deite os azeites numa panela um pouco aquecida (uso de barro, o sabor fica melhor, mas na falta use a que você tem) e refogue neles bem quentes a mistura de temperos reservada, até alourar levemente a cebola. 
Acrescente a polpa ou passata de tomate ao refogado e aguarde ferver. Junte então uma colher de sopa rasa da pasta que fez da cabeça dos camarões. Mexa bem para incorpora-la ao refogado. Abaixe o fogo, faça sobre o refogado uma camada de vegetais em fatias (tomate, pimentão e cebola) e sobre esta uma  outra camada com o peixe. Intercale camadas de vegetais e peixes até encher a panela, terminando sempre com uma camada de vegetais (normalmente faço 3 camadas de vegetais e 2 de peixe, mas isso muda conforme a largura da panela). Sobre essa ultima camada coloque os camarões.
Coloque então o leite de coco e tampe a panela. Tomem mais cachaça, para ter a calma de esperar que junte água na panela até encobrir os ingredientes todos (os vegetais soltarão seu líquido que deverá chegar ao nível dos ingredientes em cerca de 15 minutos de fogo). Prove o sal do caldo e veja se não terá que acrescentar mais um pouco.
Quebre os ovos e coloque sobre tudo e pode deixar a panela aberta, sempre em fogo baixo.
Quando os ovos estiverem cozidos a moqueca está pronta.

Boa moqueca.



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Polenta com Gorgonzola e Fígado.





Adoro polenta, faço sempre, tenho até uma panela especial para isso, com a qual não preciso ficar mexendo o tempo todo. A panela faz esse serviço para a gente. Essa receita que agora transcrevo é inspirada na cozinha da região do Veneto.

Polenta com Gorgonzola e Fígado.

Para o fígado
500 gramas de fígado bovino.
4 cebolas médias
1/2 xícara de azeita de oliva
1 cálice de vinho branco seco
Sal e pimenta do reino para temperar

Modo de Fazer
Em uma panela baixa e em fogo brando refogue as cebolas fatiadas até que fiquem macias (não douradas). Ainda em fogo baixo junte o fígado cortado em tiras e temperado previamente com sal e pimenta do reino. Cozinhe por 5 minutos, junte o vinho, cozinhe por mais 5 minutos.

A polenta
Ingredientes
400 gramas de fubá
2 ½ litros de água
1 colher de sopa de manteiga
100 gramas de gorgonzola para incorporar à polenta (o do Veneto, infelizmente, aqui nunca encontrei, é realmente insuperável, o jeito é usar o nosso Brazuca) e mais algumas fatias dele para decorar
Sal

Modo de Fazer
Numa panela alta colocar a água temperada com sal, reservando um pouco d’água para dissolver o fubá. Colocar em fogo alto, para ferver.
Dissolva o fubá na água fria e acrescente-o aos poucos na água já fervente.
Mexa durante 40 minutos, ou até cozinhar.
Junte na polenta ainda quente o gorgonzola, mexendo com um garfo para o incorporar. Depois acrescente a manteiga, numa operação semelhante o amanteigar de um risoto.
Derrame a polenta em uma tábua ou cepo e a deixe tomar consistência de corte. Caso não tenha isso pode a derramar em uma forma, mas não fica igual.
Corte a polenta como que em fatias de bolo, decore com uma fatia fina de gorgonzola sobre elas e sirva com o fígado.



Acompanhei a polenta, como na foto, com uma salada de tomatinho cereja e rucula encimada com Mozzarella de Búfala e anchovas. 
O vinho que usei na harmonização foi Salton Frisante Rosé. 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Galeto recheado com fígado, damasco, pistache e anchovas.


 Ingredientes
2 galetos (usei galeto Sadia congelado)
200 gramas de fígado de galinha picado
½ xícara de sumo de laranja
½ xícara de damasco seco picado
½ xícara de pistache
½ xícara de mini cebolas (do tipo usado em conservas) fatiadas em rodelas
3 colheres de sopa de anchova (tipo aliche) picada
1 colher de chá de casca de laranja picada finamente
1 colher de chá de licor Cointreau (ou outro licor de laranja de sua preferência)
azeite de oliva o suficiente para refogar as cebolas do recheio e dourar os galetos.
Sal e pimenta do reino para temperar ao seu gosto
1 cebola grande em pedaços grandes
3 colheres de sopa de cebola picada
3 dentes de alho
1 ramo de tomilho fresco
1 copo de Vinho do Porto Ruby (usei Velhotes) mais uma dose extra na preparação do molho.
4 fatias de bacon
2 colheres de manteiga

Modo de Fazer
Com uma faca pequena bem afiada retire a furcula do peito dos galetos (osso do jogo), abra-os por trás, retire seus ossos do corpo, com cuidado para não furar sua pele, e depois retire os ossos das coxas, preservando apenas as pontas das coxas (seccione com um cutelo), reserve os ossos. Corte fora apenas as pontas da asas. Tempere com sal, pimenta do reino e o sumo de laranja. Deixe tomar gosto por ao menos 30 minutos.
Enquanto isso, numa panela pequena doure 3 colheres de sopa de cebola picada, acrescente os ossos dos galetos, doure-os, junte água até cobri-los, tempere com sal e pimenta do reino, coloque um ramo de tomilho e cozinhe em fogo baixo por 20 ou 30 minutos. Coe e reserve o caldo.
Tempere os fígados com sal, pimenta do reino e refogue-os em azeite em fogo baixo por 4 ou 5 minutos, devem ficar mau passados, com o centro avermelhado, se passar muito o recheio ficará ressecado. Retire-os da panela, pique-os em pedaços pequenos e reserve. No mesmo azeite doure as mini cebolas, retorne o fígado, junte o damasco, o pistache, as anchovas, as cascas de laranjas e cozinhe em fogo baixo por dois ou três minutos. Derrame o licor, mexa bem e desligue o fogo. Reserve esse recheio.
Recheio os galetos e os costure. Em uma panela baixa doure-os, um de cada vez, no azeite e reserve. Na mesma panela e azeite doure os pedaços de cebola e o alho, retorne os galetos, junte o Vinho do Porto e uma xícara do caldo reservado. Tampe e cozinhe em fogo brando por 30 minutos. Retire a tampa, coloque as fatias de bacon sobre os galetos e leve ao forno médio até dourar. Retire os galetos e os acomode na travessa de serviço, reserve-os de preferência em um lugar levemente aquecido. Coe o molho de cozimento dos galetos, o retorne à panela, junte um pouco mais de vinho do porto para ganhar mais cor e reduza à metade em fogo alto, junte duas colheres de manteiga, mexa bem e apague o  fogo. Corte os galetos longitudinalmente, com cuidado para manter o recheio em seu interior, derrame o molho sobre eles e sirva.




terça-feira, 21 de junho de 2011

Figo Roti com Creme e Amêndoas


Ingredientes
8 figos frescos.
½ xícara de açúcar cristal (ou demerara)
3 colheres de sopa de manteiga sem sal.
1 xícara de creme de leite fresco
Sumo de meio limão graúdo
2 colheres de sopa de de Rum dourado (opcional)
3 colheres de sopa de água.
1/2 xícara de amêndoas em fatias levemente tostadas. 

Modo de Fazer 
Acrescento o sumo de limão ao creme de leite em temperatura ambiente, mexa bem com um grafo e deixe descansar por ao menos uma hora, reserve.
Corte fora os cabinhos dos figos, para que fiquem em forma arredondada, e os reserve. Numa panela baixa derreta a manteiga em fogo brando, acrescente o açúcar e mantenha em fogo brando até formar um caramelo. Junte os figos e cozinhe-os nessa calda por 3 ou 4 minutos (não cozinhe demais ou ficará com a polpa mole). Coloque o rum e flambe. Cozinhe por mais 1 minuto e retire os figos da panela. Acrescente a água e reduza a calda em fogo alto até ficar em ponto mais consistente. Derrame a calda sobre os figos, sirva com o creme e encimado pelas amêndoas.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Caipirinha à minha moda. Recipe also in English.


Minha Caipirinha é sempre muito bem aceita pelos meus convidados. Tomo certos cuidados para que  fique saborosa e não agrida os estômagos de seus apreciadores, ainda mais levando em conta que quase sempre a preparo para acompanhar receitas de muita personalidade, como Feijoada e esta Galinha Cachaceira da receita a seguir. Usando uma faca afiada, retiro dos limões sua casca e o branco que fica sobre esta, deixando apenas a polpa da fruta. Depois, o corto da maneira demonstrada abaixo para retirar seu centro, onde se encontra uma "nervura" branca que é excessivamente amarga. Isso deixará sua Caipirinha mais saborosa e suave.

Retirando o centro amargo do limão.

Ingredientes
2 limões graúdos
1 limão graúdo descascado para decoração (opcional)
1 e 1/2 colher de sopa de açúcar (a dosagem de açúcar pode ser alterada conforme seu gosto)
120 ml de cachaça
3 ou 4 cubos de gelo
3 gotinhas de angostura, isso não é da receita tradicional, mas sempre coloco na minha, fica a seu critério.

Modo de fazer
Retire completamente a casca dos limões, extraia deles o centro amargo, conforme fotos. Coloque os limões em um copo, junte o açúcar e o amasse bem com uma mão de pilão. Junte a cachaça, mexa bem com uma colher e coe para um segundo copo. Coloque o gelo e uma ou duas fatias do limão de decoração. 
Saúde!

Caiprinha to my friends from FB (Recipe in english) 

My Caipirinha is very well received by my guests. I take some care to make it tasty and palatable. Using a sharp knife, I remove the peel of the lemons, leaving only the pulp of the fruit. After this I cut the lemons of the way shown below to remove your center, where exist a "rib" that is excessively bitter. This way the Caipirinha will be more tasty and smooth. 

You need...
2 lemons
1 peeled lemon for decoration (optional)
1 and 1 / 2 tablespoon of sugar (dosage of sugar may be modified according to your taste)
120 ml cachaça
3 or 4 ice cubes
3 drops of Angostura, this is not the traditional recipe, but I always put in mine. 

Completely remove the peel of the lemons, extract the center of the lemons (as in the picture). Place lemons in a glass, add sugar and crush with a pestle. Add the cachaça, stir well with a spoon and strain into a second glass. Put the ice and two slices of lemon for decoration.
Cheers! 

If you can not find cachaça, you can use vodka. But the name of the drink will be Caipiroska. 



Galinha Cachaceira

Galinha Cachaceira montada e em início de cozimento.


Esta receita é uma criação minha e usa cachaça em sua preparação. Sua execução não tem complicações e seu sabor é muito brasileiro, cheira Bahia, pelo dendê e leite-de-coco.


Ingredientes
3 coxas de galinha
3 sobrecoxas
1 peito
1 cebola pequena picada
1 colher de sopa de gengibre picado fino
1 pimenta dedo-de-moça (ou de cheiro) picada.
1 raminho de coentro picado
1 pimentão em tiras
3 pimentas americanas verdes em rodelas
2 tomates cortados em rodelas
1/2 xícara de polpa de tomate
1/2 garrafinha de leite-de-coco
1 colher de sopa de azeite de dendê.
1 estrela de aniz
3 ou 4 bagas de zimbro
1 xícara de cachaça para flambar
azeite de oliva suficiente para dourar o frango e refogar os temperos


Modo de Fazer
Em azeite de oliva e em fogo alto doure os pedaços de frango, colocando-os aos poucos na panela, de três em três pedaços por vez, reserve. Na mesma panela doure a cebola picada, o gengibre, a pimenta e o coentro. Volte os pedaços de frango sobre esse refogado, derrame a cachaça na panela e flambe (cuidado, 1 xícara de cachaça fará fogo alto). Tire a panela do fogo, retire dela os pedaços de frango e monte uma camada com metade dos tomates, pimentões e pimentas americanas em seu fundo. Retorne ao fogo brando com os pedaços de frango, junte o aniz, o zimbro, o dendê, o leite-de-coco e cubra com o restante dos tomates e pimentões e pimentas americanas. Deixe cozinhar por 45 minutos. Sirva com arroz branco.


Como esse prato ficará picante, você pode harmonizar com um espumante brut. Entretanto, ele combina muito bem com cerveja e uma boa caipirinha de aperitivo.

Pronta para servir. 


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Maminha Oreada

Registro do tradicional Churrasco de Carne Oreada pantaneiro.
Fazenda do Rio Vermelho - Corumbá - MS

Este tipo de preparo de carne para churrasco é usual em algumas regiões do Brasil. Na Serra Catarinense, região de Lages, Urubici e São Joaquim, os gaúchos a chamam de Frescal. No Mato Grosso, região de Cáceres, é chamada de Carne Serenada. No Pantanal é Carne Oreada, preferi empregar esse nome, pois foi no pantanal onde  experimentei o melhor churrasco com essa carne, no município de Corumbá, Fazenda do Rio Vermelho, às margens do rio homônimo, em plena cheia pantaneira. Ocorreu nesse dia um fato inusitado, o avião monomotor que nos levou até a fazenda, ao chegar ao final da pista de pouso, atolou. O alagado em torno deixou o terreno lamacento. Para conseguirmos retornar tivemos que desatolar um avião, coisa da qual nunca ouvira falar até aquele dia. Coloco aqui inclusive uma foto desse churrasco memorável, oferecido por João Júlio, um entusiasta da cultura pantaneira. 

Ingredientes

1 peça de maminha fresca (não usar carne maturada).
250 gramas de sal grosso.
Carvão suficiente para assar a peça.
2 paus de lenha. (no Pantanal a Carne Oreada é assada em lenha de Angico, coisa aqui na minha região indisponível, com ao menos dois paus de lenha de eucalipto, do tipo usado em lareira, a carne ficará com um leve aroma de defumado, ficando com sabor próximo ao original pantaneiro)   


Modo de Fazer

No dia anterior ao churrasco, pela manhã, coloque em uma travessa metade do sal grosso feito cama, coloque a carne fresca sobre esse sal e cubra-a com o restante do sal. Deixe-a “pegando sal” por uma hora. Retire-a do sal, esfregue a peça com a mão para retirar o sal que a ela aderiu e a pendure em local fresco, em temperatura ambiente e sem acesso de moscas. Como moro em uma chácara e por aqui as moscas sempre dão um jeitinho de entrar em casa, coloco sobre a carne um tule, feito mosquiteiro. É importante que a carne receba ventilação, por isso não a cubra com panos que impeçam a circulação de ar. Deixe-a assim pendurada por 24 horas.
Caso não a utilize no dia seguinte, armazene-a no refrigerador. Ela não deverá ficar em temperatura ambiente por mais de 24 horas ou ficará muito seca.
Faça o fogo de sua churrasqueira com carvão, ao colocar a carne sobre a grelha, ou no espeto, adicione a lenha ao fogo. A temperatura deve ser para grelhar, da mesma forma que se usa para grelhar picanha, próxima ao calor. Não há necessidade  de colocar mais sal nela. O ponto ideal é um pouco mau passada, pois ficará mais tenra e suculenta. 

Harmonizei o churrasco com um Cabernet Sauvignon Condor Millaman, chileno. Não dispensei um golinho da cachaça JP de aperitivo, para abrir o apetite, uma cachaça jovem produzida em Itupeva e que me surpreendeu por sua qualidade, rivaliza com as mineiras.

Maminha pendurada em temperatura ambiente

Grelhando, já no ponto de fatiar.

Fatiando a Maminha Oreada.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pernil Suíno Frigol com molho de Cidra e Maçã Verde


A Frigol lançou uma linha de carnes especiais chamada Chef  Temperados. Ideal para quem não dispõe de muito tempo para preparar seus assados de véspera, deixando-os marinar, ou mesmo para aquelas emergências de visitas chegando de surpresa. 
Experimentei e gostei bastante, uma carne macia e saborosa, com tempero na medida certa, sem condimentos em excesso.
Elaborei uma receita que utiliza Cidra, uma bebida muito produzida na região onde moro e que pouco vejo aplicada a receitas por aqui. Resulta em um prato de bonita apresentação, especial sabor, porém de fácil execução. Tenho certeza de que será muito bem vindo naquele almoço familiar de domingo.

Ingredientes
1 peça de pernil Frigol temperado (cerca de 600 gramas).
2 xícaras de Cidra (usei Cidra Cereser sabor natural, ou seja, de maçã. Por favor não use produtos aromatizados artificialmente).
1 cebola média picada.
1 e ½ maçã verde picada (cubos médios) .
1 xícara de creme de leite fresco*.
1 cálice de conhaque ou brandy. Usei Brandy Fundador.
1 cálice de água quente. 
Azeite de oliva suficiente para dourar a peça e refogar a cebola.

Modo de fazer
Em uma panela que pode ir ao forno doure em azeite a peça de pernil temperado. Isso selará a carne retendo seus sucos durante o posterior cozimento. Retire a carne e reserve. Doure no mesmo azeite a cebola, acrescente a Cidra e deglace** a panela. Retorne na panela o pernil, acrescente a água quente, reduza a intensidade da chama e tampe a panela. Deixe cozer por 10 minutos e leve a panela tampada ao forno médio por 45 minutos. Retire do forno a panela, corte o pernil em fatias médias, retorne as fatias de carne à panela, acrescente a maçã em pedaços, deite o brandy e flambe. Deixe cozer em fogo alto por 3 minutos, sem tampa, para reduzir o molho. Retire as fatias de carne, mantendo o molho na panela, e as arrume na travessa aonde as irá servir. Caso o molho esteja muito líquido o reduza um pouco mais em fogo alto, depois baixe o  fogo e acrescente o creme de leite. Apenas aqueça um pouco, mexendo sempre, sem deixar ferver. Derrame o molho sobre a carne e sirva imediatamente.


* retire o creme de leite da refrigeração ao menos 3 horas antes de preparar a receita, quando chegar à temperatura ambiente adicione a ele o sumo de ½ limão, mexa bem e deixe descansar por 1 hora, isso o fará ficar mais espesso e levemente ácido

** deglaçar a panela é a operação de diluir a crosta escura que se forma em seu fundo após dourar algum tipo de carne. Em fogo alto acrescente vinho ou outro líquido a ela e esfregue seu fundo com uma colher de pau. 

Esse prato pode ser acompanhado de puré de batatas e se harmoniza bem com um vinho branco seco, o de minha escolha foi Santa Helena Sauvignon Blanc. 

Pernil já dourado no azeite

Fatiando 

Pronto para servir

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Frango Mistral


Mistral é nome dado ao vento fresco que sopra das encostas das montanhas do sul da França, local de origem deste prato.
A baixa temperatura do alto das montanhas resfria o ar, tornando-o mais  denso e pesado que sua camada inferior. Pela força da gravidade ele desce pelas encostas formando esta gélida corrente de ventos.
O cozinheiro anônimo que criou essa receita, inspirado pelo frescor do Mistral, o tentou reproduzir através do frescor do alho. A receita original leva quarenta dentes de alho que, ao contrário do que possa parecer, pela forma de preparo resulta em um prato leve e fresco. 

Ingredientes
1 Kg de frango em pedaços (coxas, sobrecoxas e/ou peito)
30 dentes de alhos sem casca e inteiros
30 cebolas pequeninas inteiras e sem casca (do tipo de cebola usada para fazer conservas)
300 ml de vinho branco seco
2 colheres de sopa de folhas de tomilho fresco
1 colher de chá de açúcar mascavo (ou demerara)
½ cebola grande picada
Sal e pimenta do reino
Azeite de oliva com um pouco de manteiga para refogar.
1 cálice pequeno de Brandy (na falta pode usar uma boa cachaça envelhecida)
Água morna QB

Modo de Fazer
Tempere o frango com sal e pimenta do reino e o deixe descansar por ao menos 20 minutos.
Numa panela, que possa ir ao forno, aqueça em fogo alto um pouco de azeite com manteiga, doure levemente os pedaços de frango e os reserve  (coloque pequenas porções de frango de cada vez na panela para doura-los, se você colocar todos os pedaços ao mesmo tempo irá produzir muita água e a carne não será dourada e sim cozida).
Incorpore na gordura da panela, ainda em fogo alto, a colher de açúcar, que irá se dissolver, formando um caramelo. Acrescente as cebolas (picada e inteiras) dourando-as, junte o alho, refogue por mais 1 minuto. Coloque então o vinho, o tomilho, deglace a panela, retorne o frango e acrescente água morna o suficiente para que o líquido fique no mesmo nível dos pedaços de frango. Tampe, abaixe o fogo e cozinhe por 45 minutos. Retire a tampa, adicione o Brandy e flambe. Leve ao forno em fogo alto por mais 15 minutos.
Tradicionalmente esse prato é servido com talharine ou espaguete na manteiga. Costuma-se colocar o Mistral sobre uma travessa com  macarrão amanteigado. Também pode ser servido sobre uma polenta, que foi minha opção. O sul da França sofre grande influência italiana em sua cultura e gastronomia, Nice e seus arredores eram parte do reinado italiano de Savoy, passando a integrar a França apenas em meados do século dezenove.

Um fresco Sauvignon Blanc se harmoniza perfeitamente com o Mistral. Recomendaria o argentino Millaman Sauvignon Blanc. 



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Calamares en su tinta (Lulas recheadas em molho com sua tinta)

    

Este prato é de origem espanhola. Ele dá um pouco mais de trabalho para ser feito, mas vale à pena. Escolha um dia em que estiver inspirado e com mais tempo para cozinhar. 

Ingredientes.

10 lulas grandes limpas sem cortar os tubos.(não se esqueça de pedir ao seu peixeiro para reservar as bolsas de tinta)
200 gramas de camarão médio descascado
5 pães franceses amanhecidos (frescos não darão o mesmo efeito).
1 cebola média
½ xícara de azeite de oliva
1 cálice de vinho branco seco
150 gramas de camarões miúdos, limpos.
1 limão.
500 ml de polpa de tomate batida, sem pele ou semente.
Um ramo de endro (sinônimo de aneto ou dill), fresco, picado finamente (se você não encontrar essa erva fresca pode usar a desidratada, mas cuidado, você achará também o endro em semente, parece erva doce, nunca o use, o sabor do prato seria descaracterizado).
sal

Modo de fazer.
Recheio
     Temperar as lulas e camarões com sal e sumo de limão, deixar descansar por uma hora.
     Reservar os tubos das lulas e cortar em pedacinhos os tentáculos. Refogar, numa panela, cebola picada em azeite, até dourar. Colocar então na panela os camarões miúdos e os tentáculos picados e refogar por 2 minutos.
     Jogar o vinho branco e deixar que seque.
     Acrescentar o miolo de pão com endro picado e mexer por um minuto. Acrescente mais azeite de oliva para que este recheio adquira um posto mais pastoso.  

A lula.
     Rechear os tubos de lula crus com esta mistura e feche a “boca” com um palito de dente, não se preocupe em vedar totalmente, pois, quando fritar os tubos, naturalmente, a abertura  se fechará com o calor.
     Fritar os tubos em azeite e manteiga (pouco óleo, como se estivesse fritando bife rolê). Reserve-os.


O molho
     Refogar meia cebola em azeite e manteiga até dourar, refogando em seguida os camarões médios.
     Acrescentar a polpa de tomate e cozinhe até reduzir a 2/3 da quantidade inicial e coloque sal.
     Acrescentar a tinta das bolsas das lulas e mexa com a colher.

Finalização.
     Numa panela alta, arranjar as lulas recheadas e colocar o molho por cima. Deixar ferver por 5 minutos, e estará pronto.

Recomendo como vinho de acompanhamento um branco Torrontes argentino, Rincon del Sol. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Rosbife com manteiga, ervas e anchovas.

O Rosbife pode ser feito com diversos cortes de carne, como Filet Mignon, Contra Filet e até Lagarto (também chamado Tatu em algumas regiões do Brasil). Ocorre que, passeando pelo açougue do mercado, uma peça de Maminha piscou para mim. Um verdadeiro mimo. A danadinha era pequenina, do tipo mignon, com uma capa de gordura na medida certa e, ainda por cima, com um leve marmorizado de gordurinha extra nas fibras. Com isso, preparei o  Rosbife com esta pequena jóia. 

Ingredientes
1 peça de maminha
Sal e pimenta do reino
100 gramas de manteiga
1 raminho de tomilho
1 folha de salvia
1 raminho de alecrim
4 filés de anchovas (prefira as conservadas em óleo)
Azeite


Modo de Fazer

A manteiga temperada.
Retire a manteiga da geladeira com ao menos uma hora de antecedência. Pique bem as ervas e reserve. Em um pilão macere as anchovas previamente picadas. Com um garfo incorpore as anchovas maceradas e as ervas na manteiga. Retorne-a à geladeira.

A carne
Tempere a peça de carne com sal e pimenta do reino e a deixe descansar por ao menos 20 minutos. Amarre-a firmemente com um barbante passado por sua volta. Em uma grande frigideira coloque azeite com um pouquinho de manteiga e doure a carne, virando-a constantemente, em fogo moderado, por cerca de 40 minutos. Esse tempo pode variar, minha maminha, como falei, era de tamanho pequeno, foi preciso apenas 30 minutos para que ela chegasse ao ponto, mas se sua peça pesar um quilo ou mais o tempo deverá ser de 40 a 50 minutos. Retire o barbante e deixe descansar por 10 minutos antes de a cortar. Distribua a manteiga temperada sobre as fatias de carne e sirva. 

Para acompanhar esse prato sugiro um espumante espanhol (Cava)  María Brut de Codorníu, um par perfeito.